Stranger Things – Nostalgicamente original

Apesar de correr todos os riscos de se tornar uma imitação barata, Stranger Things inova e oferece uma homenagem digna aos anos 80

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O trabalho de um bom cozinheiro é admirável. O cara precisa escolher os ingredientes certos, conhecer bem as particularidades de cada um e apreciar o sabor de cada coisa antes de acrescentar algo na receita. Ele aceita que jamais terá fabricado as matéria-primas, mas se alegra em misturar tudo e fazer algo novo. Da cozinha para as produções audiovisuais, podemos achar a mesma relação em Stranger Things, a nova série original da Netflix.

Ambientada numa fictícia cidadezinha americana na década de 80, a série mostra os eventos misteriosos que se sucedem ao sumiço do menino Will Byers. À partir daí, a série se divide em três núcleos: da mãe do garoto – estrelada pela maravilhosa Wynona Ryder – e sua busca incansável pelo filho; de Nancy, uma adolescente que poderia muito bem ter saído de um dos filmes de John Hughes; e de Mike e seus amigos, a epítome Spielbergiana da série.

À primeira vista, pode-se ter a impressão de que Stranger Things nada mais é que um cover bem produzido do espírito de outra época. Mas é aí que os irmãos Duffer mostram seu valor: a série não se perde num monte de referências. É algo mais. Uma trama bem amarrada, com um suspense digno e, ainda assim, bastante agradável para toda a família.

Os apaixonados pelos 80’s vão encontrar um monte de referências, que vão de Goonies à Alien. Vão se deliciar com as conversas sobre RPG e Stephen King. Vão achar o máximo a trilha sonora cheia de sintetizadores. Mas também vão perceber que Stranger Things é algo novo, ainda que produzido com ingredientes que todos nós conhecemos bem.

 

Daniel Schiavoni

Jornalista em formação. Fã de Woody Allen, Stalone, Miles Davis e Molejão. É ligado em política, filosofia, Sessão da Tarde e trocadilhos cretinos.