Qual o som do Sistema Solar?

Se apenas olhar para o céu traz sensação de distância, ouvir seus sons estáticos e ininterruptos nos faz sentir ainda menores

Terrestrial_planet_sizes[1]
Uma bela representação do Sistema Solar em domínio público

A partir desta semana vamos poder ver Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno alinhados. Durante os próximos dias, eles poderão ser vistos à olho nu ao pôr-do-sol. O fenômeno já aconteceu em janeiro e fevereiro deste ano, mas os planetas podiam ser vistos ao amanhecer. Este evento só acontecerá de novo daqui a 24 anos, então, se tiver céu limpo, esteja atento.

Pode ser que seja difícil distinguir planetas e estrelas. Pouco importa que Júpiter tenha mais de 70 mil Kms de raio: para nós, o que o diferenciará dos demais corpos no céu é apenas a quantidade de luz que conseguiremos enxergar. Viajar sobre o tamanho do universo me fez lembrar dessa foto. O autor fotografou a Terra e tornou-se o único a não estar nela.

Um fenômeno menos passageiro – e igualmente solitário – é ouvir o som dos planetas. Em 2009, utilizando dados obtidos pela sonda espacial Voyager, a Nasa lançou o álbum Nasa Voyager Space Sounds. Cada faixa é a “voz” de um dos planetas. Uma voz distante e melancólica.

As gravações são recortes da atividade ininterrupta de planetas e satélites. Por isso, não há praticamente nenhuma variação. Os sons registrados em Voice of Earth permanecem ecoando no Espaço até agora, em silêncio e sem ninguém para ouvi-los. Jupiter, por exemplo, é um ruído metálico desconfortável que nos dá a dimensão de nosso tamanho minúsculo por aqui. Eles estão dizendo: não tem nada lá fora.

Como o som não se propaga no espaço, a Voyager captou outras informações que foram transformadas em ondas sonoras aqui na Terra. A sonda espacial gravou ondas de gases ionizados, partículas eletromagnéticas carregadas de vento solar, ondas eletromagnéticas emitidas pelos próprios planetas etc.

São sons de baixíssima frequência, por isso seres humanos não podem ouvi-los. Por isso, cientistas utilizaram aparelhos especiais para reproduzir e quantificar os dados da sonda. Em seguida, elas foram convertidas, filtradas e masterizadas. O resultado foram dez faixas, com meia hora cada uma.

Ficar pensando nessas coisas – sobretudo no tamanho dos astros e na falta de “público” – torna a experiência de ouvir o álbum ainda mais desgraçada. Mas é a mesma coisa que ouvir os sons das baleias ou sons do fundo-do-mar: é meio estranho e desagradável, mas é útil pra perceber que a gente não é nada comparado à imensidão de tudo o que nos cerca.

Este CD é apenas uma pequena parte do acervo de sons espaciais disponíveis na Internet. No YouTube tem vários, e a própria Agência Espacial tem outros álbuns sobre o tema, incluindo versões anteriores do Voyager Space Sounds. O site deles tem uma série de pequenos arquivos de áudio semelhantes. Tem no SoundCloud também.

E, quando bater aquela vontade de ficar sozinho, ainda rola a Radio Astronomy com uma programação só de sons espaciais.

Elyson Gums

Estuda jornalismo porque não deu certo como zagueiro. Gosta mais de batata do que de estudar, e assiste muito desenho e filme pastelão.