Pianos Become the Teeth propõe um som mais calmo e emotivo

Íntimo, melancólico e denso são algumas palavras que ajudam a definir o que Keep You representa

Formação atual do Pianos Become the Teeth (Foto: Reprodução/Epitaph/Píanos Become the Teeth)
Formação atual do Pianos Become the Teeth (Foto: Reprodução/Epitaph/Pianos Become the Teeth)

Formada em 2006, em Baltimore, Maryland (EUA), o Pianos Become the Teeth faz parte de uma nova geração de bandas de Post-Hardcore, que tem seu som caracterizado pelos vocais gritados, instrumental agressivo e uma grande carga emocional nas letras. Sucessor do ótimo The Lack Long After, lançado em 2011, Keep You, o terceiro álbum de estúdio, marca o retorno da banda e uma drástica mudança em seu som quando comparado aos dois primeiros álbuns.

Lançado em outubro de 2014 pela Epitaph Records, Keep You é um divisor de águas. Buscando uma nova roupagem para o som, o vocalista Kyle Durfey abandona totalmente o vocal gritado e se utiliza apenas de linhas vocais limpas, mais calmas e melódicas. Podemos ouvir partes em que Kyle utiliza sua voz de forma intensa, mas nunca a ponto de gritar como nos trabalhos anteriores.

O instrumental também tem alterações, flertando muito com melodias de Post-Rock e passagens atmosféricas, deixando as músicas mais leves, mesmo existindo alguns momentos de explosão. Apesar das transformações, as letras continuam a tendo uma carga extremamente emocional, todas escritas por Kyle. O álbum soa como uma continuação do seu antecessor, abordando a maneira do vocalista lidar com a traumática perda de seu pai .

Capa do "Keep You"
Capa de “Keep You”

É possível observar em The Lack Long After um som violento, que aparentemente representa a primeira parte do luto de Kyle, se negando a aceitar a morte do pai. Já em Keep You, notamos uma sonoridade mais serena e melancólica, simbolizando as duas fases finais do seu luto. A depressão, que pode ser vista em “April“: 

“Every april I’m reminded about those bright flowers they talk about. Every may I’m reminded that it’s better buried in black and white. And I’ll allow myself this tonight”.

E a aceitação, também retratada em “Ripple Water Shine”, onde Durfey canta:

“For what I’ve learned about being. So defined for someone dying. And for thinking before I speak. Hopping for something bigger. But it’s a size I can’t teach.”

As letras tornam o play uma obra intensamente pessoal para o frontman. Há momentos que somente ele e sua família podem entender o verdadeiro significado por trás de alguns trechos.

Pianos Become the Teeth entrega um excelente trabalho, mas que requer tempo para ser escutado. As músicas funcionam separadas umas das outras, mas sua experiência só é completa escutando-o na íntegra com o acompanhamento das letras.

Quando compreendido por completo, revela uma grande satisfação, com ótimas passagens e uma forte pegada sentimental, do inicio ao fim. Mas até sua compreensão, pode soar um pouco cansativo e repetitivo aos ouvidos mais desavisados ou aos fãs dos primeiros trabalhos da banda.

Luccas Dardes

Estudante de história. Amante da arte e do barulho. Curte ficar de bobeira, falar sobre música, animes, basquete ou qualquer assunto que renda uma boa conversa.