Phoenix – amor nos tempos de guerra

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Eu não entendo nada de cinema alemão. Mas quando um deles se dispõe a falar sobre holocausto, você acaba assistindo.

Phoenix é um filme do diretor Christian Petzold, que será lançado nos cinemas brasileiros na próxima quinta, 09. Forte, o filme conta a trajetória de Nelly Lenz, que após sair dos campos de concentração, volta para Berlim e parte em busca do seu marido.

Isto seria um romance qualquer, que poderia muito bem ser dirigido por Spielberg. E por favor, eu não estou reclamando dele. Mas honestamente acho que ele não teria a mesma sensibilidade que teve Petzold.

Enfim, a diferença é que Nelly teve seu rosto desfigurado nos campos e precisou fazer uma cirurgia que lhe deu um novo. Mas quando ela reecontra o marido Johnny, ele não a reconhece, mas sabe que a herança que a família da esposa tem é muito alta. Os dois começam um “jogo”. Johnny quer ensinar a moça a ser como Nelly, e a própria decide não revelar a identidade.

Como disse antes, acho que Spielberg não teria a mesma sensibilidade que Petzold porque o filme é uma sutileza que causa estranhamento, principalmente quando o ponto de partida é uma mulher voltando dos campos de concentração. Nelly é forte,e aprende a ser mais forte conforme o desenrolar da trama. O filme trata de maneira delicada o final imediato da guerra e do fim dos campos, mas não coloca ninguém como enfraquecido.

Quem interpreta Nelly é a atriz alemã Nina Hoss. Ela é expressiva e linda. Maquiagem e jogo de luzes são incríveis. O filme sabe usar a sombra como pano de fundo na alma de qualquer um que caminha sobre uma Berlim destruída, ainda em ruínas. As falas são densas e vão muito além da guerra.

Confesso que o filme me cansou um pouco. Acho natural, ainda mais para quem está acostumada com Mad Max. Mas ele se mostra de uma ação muito marcante. É o tipo de filme que você quer contar o final para todo mundo, porque achou incrível, mas não quer ser a chata do spoiler.

Então paro por aqui, antes que eu não me contenha. Mas fica a dica : Phoenix merece aplauso por falar as coisas que fala, e por saber esconder o que ele não quer falar. Por não classificar bonzinhos e malvadinhos. Acho que somos todos assim no fim das contas.

Vale a pena.

Vanessa Del Rios

Estudante de jornalismo em São Paulo. Interesses incluem séries, chocolate, livros e tentar copiar as meninas do pinterest sem muito êxito. Um pequeno poço de pós-modernidade. Completamente viciada em System of a Down e Frozen.