Narcos: mais uma produção de qualidade da Netflix

Wagner Moura como Pablo Escobar (Foto: Daniel Daza/Netflix)
Wagner Moura como Pablo Escobar (Foto: Daniel Daza/Netflix)

Recentemente estreou na Netflix mais uma produção original do serviço, e que vem conquistando grande sucesso. Dirigida por José Padilha, Narcos conta a história do narcotraficante colombiano Pablo Escobar, interpretador por Wagner Moura. A série narra a trajetória de Escobar, desde seu início no tráfico de cocaína, e todos os seus feitos durante a década de oitenta. Tudo isso com a perseguição de dois agentes americanos do Departamento de Combate as Drogas – DEA aos cartéis colombianos, e principalmente, a Pablo Escobar.

Antes de iniciar minhas observações sobre a série, quero deixar claro que meu conhecimento sobre o “fazer cinema”, neste caso série, é praticamente nulo. Decidi escrever o texto para compartilhar minhas impressões após assistir aos dez episódios de Narcos – em apenas dois dias. Dito isso, vamos ao que interessa.

Irei começar pelos aspectos que considerei negativos. O primeiro deles é a passagem de tempo entre os acontecimentos. A série tem seu início na metade dos anos setenta, passando por toda década de oitenta, e claro, em dez capítulos de 50 minutos cada, fica impossível contar tudo de uma forma detalhada. Porém, em certas partes, existem sequencias de algum tipo de evento que parecem acontecer quase que instantaneamente, e na realidade, o espaço entre tais é maior. Certos fatos são situados com suas datas na edição, mas isso poderia acontecer mais frequentemente.

Outro aspecto que notei foram alguns pequenos furos de roteiro, e continuidade, mas nada que comprometa a experiência. Por útlimo, cito algo que para mim não interferiu – mas muitos reclamaram – o espanhol de Wagner Moura, bem como de outros atores. Como não tenho grande, ou até mesmo nenhum, conhecimento da língua, não tive problemas com a questão, mas consigo compreender aqueles que se sentiram incomodados. Afinal, quem gosta de um ator gringo interpretando um brasileiro, com aquele sotaque português todo bizarro? Mas claro, negativar a série só por isso, é besteira!

Agora vamos aquilo que me agradou em Narcos. Apesar dos pontos que citei acima, a forma como a história é conduzida mostra muito bem ao espectador toda trajetória de Escobar. A inserção de Steve Murphy (Boyd Holbrook), um dos agentes do DEA, como narrador, consegue um diálogo direto com o espectador. Com o recurso da narração, é possível entender a causa e as consequências de vários fatos retratados na série. As fotos e vídeos reais inseridos na trama, além de ajudar na construção da série, são arquivos que ajudam a relembram a história. Muitas dessas imagens até chocam, por diversas vezes, corpos de vítimas da guerra do tráfico são mostrados, sem nenhum tipo de censura. Acredito que a intenção seja justamente essa, o choque. Mostrar as pessoas que Narcos não conta uma fantasia, mas algo real, uma coisa que não teve nada de bom, e foi extremamente violenta.

Enfim, quando comecei a assistir Narcos, meu medo era de retratarem os americanos como heróis e Escobar como vilão, ou até mesmo passar a impressão que o líder do Cartel de Medellín na verdade fosse inocente. Felizmente isso não acontece: você percebe ao longo da história que todos têm seus pontos fracos e fortes e até mesmo as autoridades podem usar a ilegalidade para conseguir seus objetivos.

Resumindo, Narcos vale muito ser vista. A série tem a qualidade de produção já conhecida da Netflix, além de boas atuações – aliás, cabe aqui dizer que a atuação de Wagner Moura como Pablo Escobar merece meus parabéns. Agora só resta aguardar a segunda temporada, já confirmada pela Netflix.

André Schlindwein

Estudante de jornalismo. É entusiasta das novas tecnologias, e acredita que a Skynet já dominou o mundo. Star Wars, O Senhor dos Anéis e O Poderoso Chefão são suas franquias cinematrográficas preferidas.