New Bermuda e a nova missão do Deafheaven

Os estadunidenses retornam com o desafio de tentar superar seu debut e provar seu lugar no cenário musical

Deafheaven em 2015 (Reprodução/ANTI/Deafheaven)
Deafheaven em 2015 (Foto: Reprodução/ANTI/Deafheaven)

Em  2013, o Deafheaven foi posto no mapa e o responsável por isso foi seu segundo álbum de estúdio, Sunbather. Nele, a banda de São Francisco mostrava ao mundo um som que mistura Black Metal com influências de Post-Rock e Shoegaze. O estilo, muitas vezes classificado como blackgaze, não é tão novidade assim. Bandas como Alcest, Ameseours e Lantlôs já haviam o “inaugurado” alguns anos atrás.  Porém, foi com o Deafheaven que o gênero ganhou notoriedade.

Dois anos após seu masterpiece, New Bermuda nós é concebido, oferecendo um som mais amplo e amadurecido. Contando com apenas cinco faixas e tendo duração de aproximadamente 46 minutos, Deafheaven nos apresenta a diversas doses de riffs, os quais são intercalados com passagens mais calmas, ao longo de toda a audição.

Capa do "New Bermuda"
Capa do “New Bermuda”

A banda consegue manter sua identidade, trabalhando bem o contraste de momentos agressivos e tranquilos, mas de uma forma mais concisa e adulta. Deixando um pouco de lado as influências de Shoegaze e a criação de texturas sonoras, que são muito presentes em Sunbather, para focar mais nos riffs, que chegam a beirar o Thrash Metal, e passagens mais atmosféricas de Post-Rock.

As duas maiores músicas do disco retratam bem isso, “Luna” e “Baby Blue”. Ambas se desenvolvem flertando com todos esses elementos, amarrando esses recortes instrumentais de forma quase que natural. Outro som que é um ótimo exemplo dessa simbiose de características musicais é “Gifts For The Earth”, canção que mostra influências de pós-punk em alguns momentos e encerra o álbum de uma forma branda e ao mesmo tempo emocional.

Sunbather foi um sucesso, aclamado pela mídia e pelo publico, tornou a banda referencia no cenário musical. New Bermuda está longe de superar o hype deste disco, mas nos brinda com ótimas composições e uma notável evolução, mesmo sem trazer grandes inovações. Seu grande mérito é a junção de diversos elementos sem soar cansativo ou forçado. Deafheaven dá um grande passo e mostra que pode ser muito mais do que apenas uma tendência passageira.

Luccas Dardes

Estudante de história. Amante da arte e do barulho. Curte ficar de bobeira, falar sobre música, animes, basquete ou qualquer assunto que renda uma boa conversa.