Conheça o rock alternativo da Gorilla Grip

Sem invenções e floreios desnecessários, Gorilla Grip se inspira no que já está aí para entregar um produto original e agradável

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Arte por: Bárbara Gleit

Usar referências do passado pra construir novas narrativas (você mesmo Stranger Things) costumeiramente é sucesso. Vimos aqui mesmo no Randomiza, com o belíssimo full de estreia do Não ao Futebol Moderno, que toma emprestada referências 90’s. Outro exemplo recente no PAÍS DO SUL é Abrigo, da Gorilla Grip.

As referências, nesse caso, são menos visíveis do que nos dois outros exemplos. Aparecem intangíveis, mais na atmosfera lo-fi e na presença de gêneros como o shoegaze, que trazem essa cara de anos 90 pras músicas. Nenhuma roda é inventada, mas o som absorve estas influências e as transforma de acordo com a trajetória musical e pessoal dos músicos.

Resulta em faixas com diferentes atmosferas, algumas mais dançantes, outras mais contemplativas etc, frutos da aplicação de técnicas e conceitos variados em prol da identidade própria presente no som. Dá pra dizer que é pop, mas dentro de si, repleto de variações e experimentações dentro do grande guarda-chuva chamado ‘rock alternativo’.

Allan Dadam, guitarrista/vocalista, por exemplo, ouve “do rap ao pop – incluindo a Lady Gaga”“É difícil descrever o som de uma banda, tem muita coisa envolvida ali”. Sendo assim, prefere usar a amplitude do termo rock alternativo. Fair enough.

Infelizmente, continua não havendo menções diretas ou indiretas ao Planet Hemp, que originou o nome da banda. Fico no aguardo de que isso aconteça em um próximo lançamento. >:(

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Gorilla Grip é: João Olivo (baixo); Carlos Filipe Klahold (bateria); Allan Pedro Dadam (vocal/guitarra); Luiz Fernando Klahold (guitarra)

Vamos começar a falar do disco pelo final, já que essa pegada talvez tenha sido o impulso para liberar uma hidden track. São duas aparentes sobras de estúdio conectadas; uma é a primeira gravação feita pela banda, e a segunda tem a ver com lançamentos futuros desta garela de Joinville/SC.

Abrigo é o segundo EP dos guris, este muito mais detalhado e com mais faces que o anterior. Foi um tempinho considerável de composição e lapidação das músicas, além da mão de gente experiente da Cidade das Flores nos trampos em estúdio. Tiago Luis Pereira e Rafael Zimath foram os produtores, Andre Cidral (Bend Studio) mixou e Gustavo Breier fez a masterização, no Uruguai.

Contou também o que os rapazes aprenderam na estrada, desde 2012. “Como já não era nossa primeira experiência em estúdio, conseguimos tirar melhor proveito da situação, gravar as coisas com mais cuidado”, explica Allan.

Uma das formas de promover o álbum foi o lançamento do clipe Mar – gravado de rolê pelo litoral catarinense, sem rumos muito claros. O vídeo ficou à cargo de Isa Rocco, Lucas Linke e Richardyson M T.

Enquanto os rapazes ajeitam a casa pra um pernada por Santa Catarina (e talvez outros estados), fiquem aí com um faixa à faixa do Allan pra ler enquanto olha pro encarte e ouve Abrigo:

1 – Mar é uma música sobre autoconhecimento, disfarçada de canção de amor;

2 – Abrigo, que dá título ao EP/álbum, segue a mesma linha de Mar, mas traz uma atmosfera mais intimista.

3 – Cova Rasa é nosso ensaio de hardcore.

4 – Dessa Vez é talvez a musica mais forte do disco

5 – Preguiça fala sobre música.

6 – Porta da Frente fala sobre perda.

7 – … (Hidden Tracks) são duas faixas no final do álbum que remetem ao passado e ao futuro da banda, a primeira foi a primeira gravação caseira que fizemos e a segunda é uma premissa do próximo trampo.

Elyson Gums

Estuda jornalismo porque não deu certo como zagueiro. Gosta mais de batata do que de estudar, e assiste muito desenho e filme pastelão.