Atmosphere segue a fórmula e não decepciona com Fishing Blues

Após dois anos de Southsiders, Slug e Ant voltam com novo álbum contando com participações de DOOM, Aesop Rock, Kool Keith, e mais

Capa do Fishing Blues (Foto: Divulgação/Atmosphere)

Nesta sexta-feira (12), Fishing Blues será lançado oficialmente, sendo o sétimo álbum de estúdio da dupla de rap underground de Minneapolis, Atmosphere. Depois de soltar diversos (ótimos) singles na internet, a dupla chega com 18 músicas inéditas com a identidade do grupo, satisfazendo os fãs que esperavam por mais histórias de Slug e beats de Ant.

Com mais de 20 anos de carreira, o Atmosphere consiste em Sean Daley, ou Slug (MC) e Anthony Davis, ou Ant (DJ/produtor), que são uns dos maiores precursores do rap independente, pois além de terem lançado discos icônicos para a cena, são co-fundadores da Rhymesayers Entertainment, gravadora responsável por lançar grandes nomes do underground como Aesop Rock, Brother Ali, MF DOOM, Eyedea & Abilities, etc.

O álbum abre bem com Like a Fire, mas o destaque fica para Ringo, que é a segunda música e single principal do álbum. A beat já começa animada e pra cima, enquanto ouvimos Slug cantar sobre o problemas com vícios, fama e declínio de celebridades e como as pessoas gostam de ver isso acontecer.

Pure Evil, segundo single do disco, conta com participação de I.B.E., e trata da violência policial e impunidade dos homens da lei que exageram da autoridade. A grupo lançou um clipe para a música, mostrando um policial botando fogo na sua farda após um tiroteio. Assista:

Logo em seguida chega Perfect, uma das melhores músicas do álbum. Novamente sem decepcionar, Ant nos apresenta uma beat muito boa e envolvente, enquanto a letra apresenta um eu-lírico tentando se tornar uma pessoa melhor, e explora contradições de sua personalidade [“I’m a feminist, I’m also a misogynist”]. Slug faz analogia ao seu ego construído pela sua carreira de sucesso, mas que ao mesmo tempo amadureceu e tenta manter a humildade. “I should jump back and kiss myself/But I’ve been working on learning to resist myself”, diz Slug em Seismic Waves.

Ao ouvir DOOM mandando seu verso em When The Lights Go Out, faz parecer que estamos escutando alguma faixa inédita do Madvillainy 2. Ant consegue criar um instrumental tão sombrio quanto os de Madlib e acrescenta sua característica bateria cadenciada e marcante. Pronto, cenário perfeito para Slug, DOOM e Kool Keith soltarem um verso cada.

A beat de No Biggie é sensacional e lembra muito o estilo do Southsiders, e assim como o título sugere, Slug faz referências ao Notorious durante a letra. (“There’s no life after death, I’m not ready to die”). Em Chasing New York vemos Slug falar sobre seu amor pelo hip-hop quando criança. Temos a participação de Aesop Rock, que dessa vez está mais calmo e não nos metralha com palavras, enquanto o instrumental lembra os primeiros álbuns do Atmosphere.

Fishing Blues é uma clara evolução dos dois últimos álbuns do Atmosphere. As participações tornam o disco mais variado, dando ao LP uma pinta de mixtape. Slug amadureceu, seu flow está cada vez mais calmo e cadenciado, mas sua habilidade de storytelling continua impecável. Nem tenho muito o que falar sobre Ant. Ele consegue misturar beats animadas e empolgantes com aquelas mais emotivas e calmas. É raro encontrar um instrumental ruim em toda discografia do Atmosphere, e neste álbum ele acerta em todas.

Rick Hideki

Futuro geógrafo que flerta com o jornalismo. Esportes, western, distopias, hardcore e hip-hop são alguns interesses. Acha que The Wire é a melhor série já feita e mata saudades do adultswim no TBS.