Arrow – a série perdeu a pontaria?

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O crescimento da cultura de super-heróis nas séries de televisão tem sido muito interessante. Essa tendência, estabelecida principalmente por causa dos sucessos do cinema, tem chamado a atenção mais e mais. Nessa maré, diversas tentativas de adaptação têm se apresentado. Um destaque interessante pode ser dado para série Arrow. Indo agora para o fim da terceira temporada, pode ser vista com diversos altos e baixos. O seu início era bastante promissor, apresentando esse novo herói do universo DC em uma roupagem um tanto sombria, diferente de certa forma da sua base nos quadrinhos. Menos canastrão e mais centrado em sua missão (“to save my city”), Oliver Queen parecia uma pessoa transformada e bastante a frente dos seus inimigos, sempre estando preparado para o pior. A sua apresentação e a forma com que foi se estabelecendo aos poucos e organizando suas táticas em cada episódio, mesclado com flashbacks de seus terríveis 5 anos vividos na ilha Lian Yu (Purgatório em tradução livre do chinês), trouxeram um resultado bastante interessante.

A séria começa a declinar a partir do momento em que cai na fórmula básica de enlatados norte-americanos: existe um plot pequeno, linear e contínuo que perpassa todos os episódios se completa aos poucos (como romances, problemas familiares etc) e um mini plot, com um vilão a ser enfrentado e detido naqueles 40 minutos. Esse layout bastante óbvio tem sido usado por praticamente todas as séries de televisão e cai facilmente na monotonia, que acabamos aceitando pela falta de algo melhor. Isso ainda poderia ser aceito desde que a história, encaixada nessa estrutura pré-moldada, fosse coerente e empolgante, o que infelizmente não é o que acontece. Chega um certo momento que a soma de infinitas conveniências, também chamadas de shenanigans, acabam aborrecendo. A sua habilidade de combate varia muito  podendo acabar com grupos grandes com pouca dificuldade, mas às vezes tendo dificuldades para derrotar uma garota apaixonada por ele que também usa um arco e flecha em sua homenagem (o episódio da Cupido). Mesmo dizendo que esta garota era uma ex-policial, acho ainda muito pouco para fazer frente aum lutador altamente treinado ao sobreviver por 5 anos de difíceis provações. Isso só acontece porque o confronto com ela seria o único ponto alto possível daquele capítulo, o que mostra a pouca versatilidade de roteiro. Fora isso, as coincidências de os acontecimentos na ilha trazerem consequências na história, sempre de modo linear. É compreensível que, na temporada de estreia, o primeiro ano na ilha afete a história. Ali ele ainda está assentando seus objetivos e etc. Porém, a a repetição da fórmula no segundo e terceiro anos nas outras temporadas acaba ficando um tanto forçado.

Mas série possui também seus momentos de prestígio. Nela, foram possíveis as introduções de outros personagens da DC na televisão, como o Flash, o que permite certos crossovers, característica muito divertida trazida dos quadrinhos, e ótimos easter eggs (os nerd pira!), como a clássica flexa-luva-de-boxe, introduzida de uma forma coerente e bastante divertida. Porém, isso não salva a série por completo da queda na fórmula-pronta, que infelizmente, para o seus produtores, fica cada dia mais evidente principalmente com o surgimento de séries como Game of Thrones, Breaking Bad e até mesmo o Dare Devil. Esse último veio para tirar o sono dos concorrente com pouca criatividade ao mostrar que uma série de super-herói pode muito bem seguir uma rotina, mas com episódios melhor amarrados.

Se os produtores de Arrow se permitirem sair do lugar comum das séries e passarem a ser mais audaciosos, com toda certeza as histórias desse Arqueiro Verde podem ainda surpreender e cativar, uma vez que já se mostrou ser um show com muito potencial para surpreender. Mas se continuarem na zona de conforto, acredito que ela esteja fadada a perder público com o tempo do mesmo jeito que aconteceu com outras séries, como Supernatural, Agents of Shield e The Walking Dead.

Vinicius de Jesus Correia

Wannabe designer que um dia ainda há de se formar. Apreciador de filmes ótimos e péssimos, e séries de mesma qualidade. Jogador de rugby nas horas vagas e até quando os joelhos aguentarem. Amante de reticências…

  • Caio Cavalcante

    Arrow perde muito tempo em plots de romances que não acrescentam em nada no desenvolvimento do roteiro – na verdade, eles atrapalham. Fora isso, acho que os mini plots dos vilões são necessários. Se fosse desenvolver apenas os plots principais, cada temporada teria de 5 a 10 episódios, e não haveria a possibilidade de introduzir os infinitos vilões presentes no universo das HQ’s – esses que são, por muitas vezes, o atrativo dos heróis.